Tem dias em que a gente só quer ser cuidada!
Esses dias me peguei pensando em como nós, mulheres, nos acostumamos a cuidar.
Cuidamos da casa, do trabalho, da família, dos amigos e até daquilo que, muitas vezes, nem é nossa responsabilidade. Estamos sempre lembrando de alguma coisa, resolvendo outra, antecipando problemas e percebendo necessidades que ninguém mais percebe.
E fazemos isso quase naturalmente.
Mas, em meio a tantos cuidados, me veio uma pergunta: quem cuida de quem está sempre cuidando?
Porque, convenhamos, tem dias em que até a mulher mais forte do mundo gostaria de não precisar ser tão forte assim.
Tem dias em que a gente não quer decidir, organizar, resolver ou encontrar soluções. Quer apenas ouvir alguém dizer: "Deixa que hoje eu cuido disso".
E como seria bom ouvir isso de vez em quando!
Não porque sejamos incapazes, mas talvez justamente porque passamos tanto tempo mostrando que damos conta de tudo.
Com os anos, fui percebendo que existe uma armadilha nessa nossa capacidade de resolver as coisas. Quanto mais fazemos, mais esperam de nós. E, sem perceber, nos tornamos aquelas mulheres que todos procuram quando precisam de ajuda, mas que nem sempre são lembradas quando precisam de um abraço.
A maturidade nos ensina a escolher nossas batalhas, reconhecer prioridades e valorizar os pequenos gestos. Mas talvez uma das lições mais difíceis seja admitir que também precisamos de cuidado.
E não falo de grandes demonstrações. Às vezes, basta uma mensagem inesperada perguntando como foi nosso dia, um café preparado com carinho, alguém que perceba nosso silêncio ou simplesmente um abraço demorado, daqueles em que podemos descansar um pouquinho do mundo.
Não estou falando apenas de amor entre casais. Falo de amizade, família, afeto e reciprocidade. Dessa delicadeza tão simples, mas tão preciosa, de perceber o outro.
Tenho pensado que a vida fica mais leve quando entendemos que não precisamos ser indispensáveis o tempo inteiro. Que podemos dividir responsabilidades, deixar algumas coisas para amanhã e, principalmente, permitir que cuidem de nós.
Eu gosto de cuidar. Gosto de demonstrar amor nos detalhes, de estar presente, de fazer a diferença na vida de quem amo. Isso faz parte de quem sou. Mas também estou aprendendo que receber carinho é tão importante quanto oferecer.
Porque, por trás de toda mulher que parece dar conta de tudo, existe alguém que também se cansa, sente saudade, tem medos e que, de vez em quando, só gostaria de encostar a cabeça em algum ombro e não pensar em mais nada.
Talvez uma das formas mais bonitas de amor seja perceber quando alguém precisa ser cuidado, mesmo quando não pede.
E que a vida nos presenteie com pessoas capazes dessa sensibilidade.
Porque ser forte é bonito. Ser independente também. Mas poder ser frágil, de vez em quando, nos braços de quem nos quer bem, é um privilégio que não deveríamos esquecer de viver.
Até o próximo Papo de Saia!
Cris Petry







