Tenho duas notícias para te dar, uma boa e uma ruim. A boa: a tal da nuvem, onde moram suas fotos, seus vídeos e aquele meme do grupo da família, existe de verdade. A ruim: ela não fica no céu. Fica no fundo do mar.

A gente imagina satélite, antena, um prédio gigante, alguma mágica no espaço. Mas nos Estados Unidos, por exemplo, os satélites carregam menos de 0,4% do tráfego internacional de internet. O resto viaja por cabos submarinos. São cerca de 1,5 milhão de quilômetros deles pelos oceanos, o suficiente para ir e voltar da Lua quase duas vezes. E cada um tem mais ou menos a grossura de uma mangueira de jardim. Lá dentro, fios de vidro finos como um cabelo carregam, em forma de luz, o seu vídeo de política.

O Brasil tem sua porta de entrada. Na Praia do Futuro, em Fortaleza, chegam 16 desses cabos, e por ali passam quase 90% dos dados internacionais do país. Enquanto o turista pede caranguejo, a internet do Brasil passa por baixo da areia.

E quem estraga isso? Por anos, a fama ficou com os tubarões, que morderiam os cabos. Injustiça. Pelos dados do setor, peixes causaram menos de 1% dos rompimentos. Dois terços dos cerca de 200 danos por ano vêm de redes de pesca e âncoras de navio. O vilão não é o tubarão. É o pescador. O tubarão, coitado, só estava curioso.

Então volto às duas notícias. A boa: a nuvem existe. A ruim: ela é molhada. Da próxima vez que o vídeo travar, pensa duas vezes antes de xingar a operadora. Pode ser uma âncora do outro lado do mundo.