Nem tudo é sobre nós, embora algumas coisas doem na gente!
Esses dias me peguei pensando em uma frase que tantas vezes ouvimos e que, certamente, já repetimos para nós mesmas: “Isso fala mais sobre o outro do que sobre a gente”.
E fala mesmo.
Mas será que saber disso faz doer menos?
Tenho minhas dúvidas.
A vida vai passando, a gente amadurece, coleciona experiências, aprende a escolher melhor as palavras, a compreender os silêncios e até a aceitar determinadas atitudes. Mas existe uma parte de nós que continua tão sensível quanto antes.
E talvez seja justamente essa parte que mais tentamos esconder.
Porque, convenhamos, ninguém gosta de admitir que uma palavra mal colocada, uma atitude indiferente ou a falta de consideração de alguém conseguiu estragar o nosso dia.
Mas acontece.
Às vezes, não é nem pelo que foi dito. É pela maneira como foi dito. Não é pela ausência, mas por quem escolheu estar ausente. Não é pelo gesto em si, mas pelo sentimento que ele despertou.
E lá estamos nós, tentando convencer o coração daquilo que a razão já entendeu.
Tenho pensado que uma das coisas mais difíceis da maturidade é aceitar que nem todas as pessoas têm o mesmo cuidado que temos com elas.
Talvez porque, naturalmente, esperamos receber um pouco daquilo que entregamos. Se oferecemos carinho, esperamos carinho. Se temos consideração, esperamos consideração. Se cuidamos das palavras, imaginamos que os outros também terão esse cuidado conosco.
Mas nem sempre é assim.
E isso decepciona.
Não sei vocês, mas eu ainda me surpreendo com certas atitudes. Ainda me entristeço com algumas palavras. Ainda fico tentando entender o que poderia ter sido diferente.
E, às vezes, me cobro por sentir tanto.
Afinal, depois de tantos anos, de tantas experiências, de tantas situações enfrentadas, já não deveria ter aprendido a não me importar?
Mas quem disse que amadurecer significa deixar de sentir?
Talvez a gente tenha confundido força com a obrigação de estar bem o tempo inteiro.
Somos fortes, sim. Enfrentamos perdas, recomeços, responsabilidades, despedidas e tantas batalhas que ninguém imagina. Mas também somos feitas de sentimentos, expectativas e pequenas fragilidades.
O que tenho aprendido, e nem sempre consigo colocar em prática, é que não podemos entregar ao outro o poder de definir quem somos.
A falta de consideração de alguém não diminui o nosso valor. A indiferença não apaga a nossa importância. E uma palavra dura não deveria ser maior do que toda a história que construímos.
Mas entre saber e sentir existe um caminho. E, às vezes, esse caminho é longo.
Também tenho aprendido que não precisamos justificar todas as atitudes, compreender todos os comportamentos ou encontrar explicações para tudo.
Algumas coisas simplesmente machucam.
E reconhecer isso não nos faz fracas.
Talvez o verdadeiro amadurecimento esteja em sentir a dor sem permitir que ela nos endureça. Em compreender que nem todas as pessoas vão nos tratar como gostaríamos, mas que isso não precisa mudar a maneira como escolhemos ser.
Eu, pelo menos, não quero perder a minha sensibilidade.
Não quero deixar de acreditar nas pessoas, de demonstrar carinho, de me importar, de cuidar dos detalhes e dos sentimentos de quem cruza o meu caminho.
Sei que isso, algumas vezes, me torna mais vulnerável.
Mas também sei que é parte de quem sou.
E, chegando até aqui, com tantas histórias vividas, penso que talvez a maior conquista não seja aprender a não sentir, mas aprender a não carregar por tanto tempo aquilo que não nos pertence.
Que a vida nos ensine a ser mais leves, sem nos tornar indiferentes. Mais fortes, sem perder a ternura. E mais conscientes do nosso valor, sem precisar que os outros o reconheçam o tempo inteiro.
Porque, no fim das contas, quero continuar sendo alguém que sente.
Só não quero mais que as atitudes dos outros ocupem tanto espaço dentro de mim.
Até o próximo Papo de Saia.
Cris Petry







