Ela adoçava festas. Eu celebro histórias.
Ontem, 15 de outubro, completaram-se 2 anos e 7 meses desde que minha mãe, Célia, partiu. Era 1h47 da madrugada de 15 de março de 2024. Algumas datas a gente guarda na memória. Outras ficam gravadas na alma.
Minha mãe foi doceira por 50 anos. Meio século preparando doces, adoçando festas e fazendo parte das comemorações de tantas famílias. Quantos aniversários, casamentos e encontros passaram pelas mãos dela? Quantas histórias foram celebradas ao redor de uma mesa que tinha um pouquinho do seu trabalho e do seu carinho?
Eu, há mais de 25 anos, sigo um caminho parecido. Organizo casamentos, aniversários e tantas outras celebrações. E só agora, olhando para trás, percebo o quanto nossas histórias profissionais se encontram.
Ela cuidava dos sabores da festa. Eu cuido das emoções que a festa proporciona. Duas gerações, duas maneiras de celebrar o amor.
Talvez tenha sido com ela que aprendi, sem perceber, que uma festa nunca é apenas uma festa. É o encontro de pessoas, a alegria de estar junto, o cuidado com os detalhes e a vontade de transformar um dia comum em uma lembrança especial.
Minha mãe fazia isso com as mãos, preparando seus doces. Eu faço com o coração, organizando momentos que ficarão guardados na memória de outras pessoas.
E é curioso pensar que, mesmo seguindo caminhos diferentes, acabamos escolhendo a mesma essência: fazer parte da felicidade dos outros.
Hoje, quando vejo uma mesa de doces pronta, uma família reunida ou uma mãe emocionada no casamento de um filho, penso nela. Imagino quantas vezes esteve presente em momentos assim, mesmo sem aparecer nas fotografias, deixando sua marca através dos sabores.
A saudade, essa não diminui. Apenas aprende a morar em outros lugares. Às vezes aparece em uma lembrança, em uma receita, no cheiro de um doce ou naquela vontade imensa de contar alguma coisa e não poder mais ouvir sua resposta.
Mas também existe uma forma bonita de permanência. Porque muito do que sou, da maneira como recebo, cuido e celebro, nasceu daquilo que vivi ao lado dela.
Minha mãe passou 50 anos adoçando a vida das pessoas. Eu sigo, há mais de 25, ajudando a celebrar suas histórias.
E talvez esse seja o nosso elo mais bonito. Ela preparava os doces que faziam parte das festas. Eu preparo as festas que se transformam em lembranças.
No fim, descobri que não escolhemos profissões tão diferentes. Escolhemos, cada uma à sua maneira, fazer parte dos momentos felizes da vida.
E assim, mesmo depois de sua partida, seguimos juntas. Ela nas minhas lembranças, eu dando continuidade, do meu jeito, a esse amor por celebrar.
Para minha mãe, Célia, que adoçou tantas histórias e, para sempre, será a parte mais doce da minha.
Cris Petry
Papo de Saia ❤️







