Uma mesa bem posta encanta. Flores escolhidas com carinho, louças bonitas, taças alinhadas e cada detalhe no seu lugar ajudam a criar um cenário especial. Mas, depois de tantos anos trabalhando com eventos, aprendi que receber bem vai muito além daquilo que colocamos sobre uma mesa. Tem a ver, principalmente, com a forma como fazemos alguém se sentir.
Receber é acolher. É perceber quem chegou sozinho e aproximá-lo de alguém, lembrar de uma restrição alimentar, observar se os convidados mais velhos estão confortáveis e pensar nas crianças para que elas também façam parte da celebração. São pequenos gestos que fazem uma enorme diferença.
Ao longo da minha trajetória, já participei de festas grandiosas e de encontros mais simples, e uma coisa sempre ficou muito clara: não existe orçamento capaz de comprar acolhimento. Podemos ter uma decoração maravilhosa, um menu sofisticado e uma produção impecável, mas, se as pessoas não se sentirem bem-vindas, alguma coisa estará faltando.
Talvez por isso eu goste tanto da palavra receber. Porque é muito mais do que abrir uma porta. É dizer, mesmo sem palavras: “Que bom que você veio. Eu pensei em você.”
E quem convida também precisa estar presente. Muitas vezes, na preocupação para que tudo esteja perfeito, o anfitrião acaba esquecendo de viver aquilo que planejou com tanto carinho. É justamente aí que entra o trabalho de quem está nos bastidores: cuidar dos detalhes e dos imprevistos para que os anfitriões possam abraçar, conversar, brindar, rir e aproveitar.
Porque uma festa bonita impressiona, mas uma festa onde você se sentiu querido permanece na memória.
No final, talvez ninguém se lembre da disposição dos talheres ou de todas as flores da decoração. Mas certamente lembrará de como foi recebido.
Para mim, a verdadeira arte de receber começa aí: quando pensamos no outro.
Porque receber bem é uma das formas mais bonitas de dizer:
“Que bom que você está aqui.”
Cris Petry
Papo de Saia







