Em um momento em que o desenvolvimento regional depende cada vez mais da capacidade de articulação entre diferentes setores, a Sicredi Pioneira reuniu lideranças de 21 municípios entre o Vale do Sinos e a Serra Gaúcha para discutir caminhos possíveis para o futuro. O Summit de Lideranças foi promovido pela cooperativa na sexta-feira (27), em Nova Petrópolis, com a presença de cerca de 200 representantes do poder público, entidades e imprensa, propondo reflexões que visam ampliar a capacidade de atuação coletiva na região.
Ao longo dos últimos anos, o evento evoluiu de coletiva de imprensa e encontro de lideranças para, agora, assumir o formato de Summit, com uma programação mais ampla e orientada ao ambiente de negócios. De acordo com o diretor executivo da Sicredi Pioneira, Solon Stapassola Stahl, esta edição conectou pessoas que influenciam diretamente na tomada de decisões, na formação de opinião e na implementação de iniciativas que impactam as comunidades. “Acreditamos muito no poder do ecossistema, e ele é formado por empresas e entidades de diferentes setores. Independentemente da área de atuação de cada um, todos nós temos um objetivo em comum: melhorar a vida das pessoas e das nossas comunidades. Buscamos reunir essas lideranças para estimular um alinhamento de pensamento, uma visão compartilhada sobre o futuro que queremos construir para a nossa região”, destaca.
Ele explica que o poder público, as entidades e a imprensa representam uma das “pás” do catavento que simboliza a atuação da instituição. “Nosso objetivo é despertar esse sentimento de que não somos isolados, mas parte de algo maior. A região depende desse olhar coletivo”, complementa. Entre os temas abordados no evento esteve a apresentação dos resultados da cooperativa em 2025, que incluem indicadores econômico-financeiros e evidenciam, na prática, o impacto social promovido nas comunidades. Somente no último ano, a Sicredi Pioneira gerou R$ 391,2 milhões de impacto real, valor que reúne resultado líquido, riqueza gerada e investimento social ao longo do período.
Conteúdo destacou futuros possíveis para a região
Para provocar reflexões conectadas aos desafios contemporâneos das comunidades, o Summit de Lideranças contou com uma programação de conteúdo, com palestras sobre desenvolvimento, inovação e liderança. Um dos convidados foi o antropólogo colombiano Santiago Uribe, pesquisador com mais de duas décadas de atuação em projetos de desenvolvimento e inovação social em diferentes países.
Em sua fala, ele ressaltou que o futuro das cidades não se sustenta apenas em tecnologia, mas, principalmente, na capacidade de mobilizar pessoas. “As cidades não podem ser pensadas apenas a partir da tecnologia. Elas precisam ser pensadas a partir das pessoas. Quando conseguimos reconhecer o potencial de cada indivíduo e estimular conexões, criamos ambientes mais inovadores e preparados para transformar desafios em oportunidades”, afirmou.
A programação também teve a participação de Gilberto de Souza, especialista em formação de líderes e coautor de obras sobre organizações auto-organizadoras, com atuação voltada a autodesenvolvimento e construção de culturas de aprendizagem. “A gente só constrói um mundo melhor pensando no que é melhor para o coletivo. Precisamos trabalhar de forma integrada para construir as soluções necessárias e avançar como sociedade”, pontuou. Entre os insights apresentados, ele destacou o conceito de dinâmica espiral, que propõe uma leitura evolutiva dos sistemas humanos e reforça a importância de ampliar a consciência sobre o funcionamento do ecossistema como um todo.
O evento contou ainda com a presença do Comitê de Futuros, que trouxe reflexões sobre caminhos possíveis para o desenvolvimento da região, com foco em mobilidade e urbanidade sustentável. De acordo com a bióloga Daiana Schwengber, integrante do grupo, as tendências partem de aprendizados recentes, especialmente diante de eventos climáticos extremos. “Não podemos pensar o futuro sem olhar para o passado. Essas tendências nascem de desafios reais, como os desastres climáticos vividos em 2024, e apontam caminhos que podem ser iniciados no curto prazo, com impacto no longo prazo. O futuro é construído de forma coletiva”, ressaltou.
Entre as tendências apresentadas está o avanço do urbanismo ecológico, com a implementação de soluções como cidades-esponja, jardins de chuva e infraestrutura verde, voltadas à proteção de encostas e bacias hidrográficas. A proposta inclui, por exemplo, o uso de bioengenharia para recuperação de áreas de risco e proteção de acessos viários. Outra frente discutida foi a transição do modelo de carro próprio para o conceito de mobilidade como serviço, assim como, o potencial da mobilidade aérea urbana, com o uso de aeronaves elétricas para encurtar distâncias entre polos industriais e turísticos.
Pioneira atua para impulsionar o desenvolvimento local
Para Stahl, o Summit cumpriu o papel de compartilhar resultados e, ao mesmo tempo, fortalecer uma visão mais ampla de atuação coletiva. Esse movimento, segundo ele, se traduz na prática quando diferentes lideranças passam a atuar de forma mais conectada. “Sabemos que o desenvolvimento das comunidades não acontece de forma isolada. É um trabalho conjunto. A Sicredi Pioneira faz parte desse movimento e busca, junto com outras lideranças, construir soluções que melhorem a vida das pessoas”, finaliza.
Foto – Diego Soares

