Com R$ 20 milhões em investimentos, Aeroporto de Canela aguarda retomada de voos regulares

A movimentação em torno do Aeroporto de Canela deixou de ser apenas um tema de infraestrutura para entrar na agenda econômica da Região das Hortênsias. Com obras executadas pela Infraero e articulações locais envolvendo poder público e setor produtivo, o terminal passou a ser tratado como peça estratégica para destravar a conectividade, ampliar o fluxo turístico e reposicionar a cidade serrana como destino competitivo – inclusive para públicos internacionais e de maior renda.

A Infraero assumiu oficialmente a gestão e a operação do Aeroporto de Canela em 10 de outubro de 2024, após portarias do Ministério de Portos e Aeroportos publicadas em setembro do mesmo ano. Em dezembro daquele ano, a estatal inaugurou a primeira etapa de obras voltadas à retomada de voos regulares, com investimento da ordem de R$ 20 milhões.

A pista de pouso e decolagem foi alargada de 18 metros para 30 metros e recebeu reforço e recapeamento completos, além da implantação de uma área de segurança de fim de pista (RESA) e revitalização da sinalização horizontal. Taxiways e pátio também passaram por reforma, com nova sinalização e ampliação para três posições de aeronaves e uma para helicóptero.

Além das melhorias físicas, a Infraero concluiu a instalação do PAPI nas duas cabeceiras — sistema que auxilia na aproximação das aeronaves — em fase de homologação pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), órgão vinculado ao Comando da Aeronáutica. Atualmente, está em andamento a obra da cerca patrimonial, com conclusão prevista para meados de 2026.

No planejamento, também está a construção de um terminal de passageiros, em fase de projeto para licitação. Em nota, a Infraero afirma que a infraestrutura do aeroporto já está operacional e disponível para que companhias aéreas operem novos voos comerciais, conforme a estratégia de mercado de cada empresa e dentro da capacidade instalada.

O debate sobre o futuro do terminal também ganhou tração fora do setor público. Sócio e diretor da LDP Canela S.A., empresa responsável pelo empreendimento Kempinski Laje de Pedra, o investidor José Ernesto Marinho Neto afirma que o aeroporto entrou no radar ainda no início do projeto, quando identificou a pista municipal a cerca de um quilômetro do hotel. Segundo ele, em 2023 foram contratados especialistas para estudar o local e desenhar um conceito de aeroporto regional. Após as enchentes de 2024, relata ter buscado interlocução com companhias aéreas para apresentar o potencial do terminal como alternativa regional.

Na avaliação do investidor, o maior entrave para a retomada de voos regulares hoje é regulatório, somado à ausência de um terminal de passageiros. Ele afirma ainda que empresários locais entregaram à Infraero um projeto arquitetônico do terminal, como forma de apoiar o avanço do equipamento.

Para o setor turístico, a conectividade aérea é vista como um fator decisivo para sustentar crescimento e elevar o perfil do visitante. O secretário de Turismo e Cultura de Canela, Athos Cunha, afirma que o aeroporto é estratégico para o desenvolvimento do município, com reflexos diretos na economia local. Segundo ele, o terminal fortalece a conectividade do destino, amplia o fluxo de visitantes e impulsiona o turismo, o comércio e a geração de empregos.

Hoje, o turismo sustenta cerca de 70% da economia do município de forma direta e indireta, conforme a secretaria.

O objetivo é conseguir elevar o fluxo de estrangeiros entre 20% e 25%, puxada principalmente por turistas latinos, mas com expectativa de crescimento de novos mercados. Nesse cenário, a infraestrutura aeroportuária é tratada como peça-chave para reduzir a dependência do acesso terrestre via Porto Alegre e fortalecer a Região das Hortênsias como destino mais acessível e competitivo.

Foto – Izaque Santos/Prefeitura de Canela/JC

Fonte da informação – Portal do Jornal do Comércio/PoA