Proposta de linha de trem entre Porto Alegre e Gramado avança e está na mesa do Governador para autorização de execução

O interesse de três empresas no turismo da Serra Gaúcha poderá viabilizar a criação de uma linha de trem, de superfície, entre Porto Alegre e Gramado. A ideia é ligar as duas cidades em uma linha de 84 quilômetros em um trem com até 130km/h. 

A viagem seria feita em pouco mais de uma hora. O sistema foi concebido para captar um mínimo de 10% dos turistas que sobem a Serra em direção a Gramado e Canela. 

A proposta foi levada ao governador Eduardo Leite e secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Ernani Polo, em 25 de março. O projeto, desenvolvido há dois anos, é capitaneado pela RG2E Engenharia Consultiva, que atua em projetos de metrôs e ferrovias de passageiros; pela STE Engenharia, com experiência em projetos de infraestrutura; e a BF Capital, que atua na captação de investidores. 

As três criaram a SulTrens, empresa de propósito específico. No encontro com o Leite, foi protocolado o requerimento de autorização. Se houver o consentimento do governo gaúcho, o projeto poderá ser desenvolvido. Se for negado, a proposta será arquivada.

Se houver a aprovação do Estado, o governo precisará entregar a licença de instalação, que permite o início das obras, em três anos. O início da operação é aguardado para o sétimo ano após a assinatura do contrato. 

O valor da passagem ainda não foi definido, pois dependerá de estudos mais aprofundados. Mas, de acordo com o sócio diretor da RG2E, Renato Ely, a ideia é que o valor da passagem seja compatível com o que paga o turista que vai para Gramado.

— Gramado é um sucesso. É um destino turístico qualificado. O projeto é bonito e marcante — destaca Ely.

Três traçados foram estudados. O caminho mais curto foi escolhido. 

Saindo da região do aeroporto Salgado Filho ele passaria por áreas rurais de Canoas, Esteio, São Leopoldo, Parobé, Araricá, Nova Hartz e Santa Maria do Herval, chegando a Gramado.

Na primeira avaliação feita, não haverá pontos de parada. Porém, se os estudos complementares apontarem que uma região possa potencializar o investimento, uma estação intermediária poderá ser criada.

A ideia é que o trem tenha viagem a cada hora entre 7h e 9h. A partir das 10h, as partidas ocorreriam sempre em 30 minutos, até as 22h. 

Se for viável, durante o final da noite e madrugada, a linha poderá ser usada para o transporte de carga. 

Somente em desapropriações o cálculo estimado indica que serão investidos 10% do total previsto para o desenvolvimento do projeto.

Mas o principal desafio será vencer os 800 metros de desnível da Serra. Para que o trem consiga ter capacidade de passar pela região, a inclinação ocorrerá em um trecho de 12 quilômetros. 

— Já houve tecnologia ferroviária que encarou a subida da serra no século passado — lembra Ely.

O diretor destaca que esta ideia é diferente do trem ultrarrápido que está pensado para a mesma região. Este outro projeto é desenvolvido pela HyperloopTT. 

Uma lei federal de 2021 estimula empresas, com autorização dos governos, a desenvolver projetos, realizar obras e fazer a operação de linhas de transporte ferroviário. Se o projeto for aprovado, a concessão poderá ter até 99 anos, segundo a lei federal. 

Fonte da matéria – GZH/ClicRBS

Foto – Reprodução