Nesta quinta (11), uma comitiva do Governo do Estado esteve em visita ao Parque do Caracol e Secretaria Municipal de Turismo, dando continuidade ao processo que concede à iniciativa privada a responsabilidade pelos serviços de visitação e de exploração comercial do principal ponto turístico de Canela e uma das mais belas paisagens naturais do país. Esta é a segundo visita técnica que o Parque recebe. Sabe-se que faz parte do acordo que o RS e outros 5 estados brasileiros assinaram com o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) para privatização de parques estaduais.
No Rio Grande do Sul, estão incluídos, além do Caracol, os parques estaduais Delta do Jacuí, Tainhas, Turvo e Jardim Botânico de Porto Alegre.
O parque, hoje, é administrado pela Prefeitura de Canela, que ficou responsável por investimentos, melhorias e administra 80% da receita. Toda e qualquer ação no Parque deve passar, necessariamente, pela burocracia do Governo do Estado, que leva 20% da receita bruta, que gira em torno de R$ 1 milhão ao ano.
Em agosto de 2020, Estado e Município renovaram seu acordo por dois anos, podendo ser renovado por mais 12 meses, porém, foi adicionada uma cláusula que possibilita a revogação da cessão do parque, pois o Governo do Estado já pensava em concessão à iniciativa privada.
O secretário Municipal de Turismo e Cultura de Canela, Ângelo Sanches, afirmou em reportagem que Rodrigo Lorenzoni (que assumiu a Sedetur no final de maio de 2020) tem sido parceiro e é um dos responsáveis pelo último acordo com Canela. Por outro lado, a burocracia e a forma como o Estado pensa juridicamente o Caracol têm impedido novas melhorias e a modernização do Parque, já anunciadas. “Temos muitos projetos, mas estamos na espera do Governo do Estado. Queremos avançar. Entendemos que a administração do Parque do Caracol, pelo que representa para Canela e região, deve continuar com a Prefeitura, por um período maior de tempo para que possamos dar ao nosso grande símbolo o tratamento que ele merece”, disse o secretário.
Pessoas ligadas ao trade turístico e agentes políticos do município entendem que a decisão de Eduardo Leite é unilateral e não leva em conta a singularidade do Parque do Caracol e o que ele representa para o canelense.
Um empresário, que preferiu não se identificar, sugeriu a realização de uma consulta popular junto à comunidade para que ela diga o que pensa sobre o Caracol.
Ao final deste processo inicial, a pergunta que não foi respondida é: o que Canela e sua comunidade ganham e perdem com a privatização de seu maior símbolo?
Fonte -Portal da Folha
Foto – divulgação

